Arquivo de novembro \26\UTC 2010

Evento de lançamento – Dr. Roberto Zeballos (24/11)

O lançamento do livro do Dr. Roberto Zeballos, médico clínico geral humanista, imunologista e alergista, “Penso, logo realizo”, foi um sucesso!

Realizado nesta quarta-feira, 24/11, no Mube, o evento contou com diversas celebridades que prestigiaram o médico em sua noite de autógrafos.

Dr. Roberto Zeballos e Pelé

 

Antonio Peticov com Dr. Zeballos

Dr. Roberto Zeballos e Caco Johannpeter

Zeballos e sua esposa Bel, com Mauricio Souza Neto e Rita Lobo, diretores da Bee Comunicação.

Não deixe de acompanhar o blog da Bee! 🙂

Fernanda Markus, estudante de Relações Públicas, trabalha na Bee Comunicação Associados.

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O preconceito embota a sensibilidade

Qualquer pessoa, medianamente inteligente, ao meditar sobre o tema preconceito, concluirá que se trata da mais completa insanidade. Ao julgar uma pessoa por sua cor, raça, sexualidade, nível social, vida íntima, etc., você se priva de usufruir de uma infinidade de momentos prazerosos.

Um fato bobo, acontecido durante um almoço com amigos na semana passada, serve como exemplo: falávamos sobre música e, em determinado momento, comentei que considerava a Amy Winehouse a maior cantora internacional surgida nas últimas décadas. Comparei-a às fabulosas Billie Holiday e Nina Simone, lendas do jazz e do blues, ambas negras e já falecidas. Amy é branca. As três são gêmeas de alma.

Dois dos presentes caíram de pau, alegando que se tratava de “uma bêbada e drogada”. Devolvi, querendo saber se já a haviam escutado. Responderam que “não iam perder tempo com uma figura deplorável dessas”.

Chama a atenção nessa estória, o fato de ambos serem empresários, um deles engenheiro e o outro economista.  Isso mostra que também é preciso tomar cuidado para não se ter preconceito às avessas, achar que alguém, por ter nível universitário, dispõe de percepção mais arejada.

Resolvi insistir: “que ameaça a Amy pode representar para vocês? Se ela se droga, a grande vítima é ela mesma. Porém, quando a ouvimos cantar, em vez de qualquer tipo de mal, ela nos proporciona momentos de imenso prazer”.

A partir daí, a discussão se tornou acalorada e, graças às colocações dos dois, pude constatar mais uma vez que o preconceituoso é, acima de tudo, um inseguro, o que ajuda a tornar seus frágeis argumentos, patéticos.

Se você, leitora ou leitor, não liga para essas tolices, vou lhe dar as dicas que não consegui passar para eles.

Como aperitivo, escolhi quatro interpretações de cada uma das ladies.

Billie Holiday:

Strange Fruit, Embraceable You, A Fine Romance, Am I Blue?

Nina Simone:

Don’t Smoke In Bed, I Put A Spell On You, Don’t Let Me Be Misunderstood, Ne Me Quitte Pas

Amy Winehouse:

Me & Mr Jones, Back To Black, Love Is A Loosing Game, Just Friends

Vale a pena procurar em loja ou na internet e escutar. Se você não abre mão de um drinque, prepare para acompanhar. Mas aviso desde já que não é necessário: as três musas por si só já são inebriantes.

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Paul Gauguin, na Tate Modern

Um dos prazeres oferecidos por grandes eventos culturais é o prazer preparatório.

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E numa cidade como Londres grandes eventos culturais são eternamente parte da vida. Ainda não fui ver a exposição de obras de Paul Gauguin, na Tate Modern, mas já estou curtindo os prazeres de minha pré-visita.

São duas categorias de prazer: prazeres Tate Modern e prazeres Paul Gauguin.

Prazeres Tate Modern são prazeres intrinsicamente londrinos. Quando olho para a Tate Modern de minha mente vejo a grande chaminé, como um mastro de navio, contra o céu cinza escuro, com rasgos de nuvens brilhantes, recheadas de sol. O rio cor de ferro, impregnado de sua antiguidade corre, em minha mente, em direção ao interior da Inglaterra. Vejo o Rio Tâmisa enchendo. Sobre ele lança-se a Millenium Bridge, que balançou quando a Rainha Elizabeth passou por ela pela primeira vez. A Millenium Bridge é como uma assinatura do tempo. Sua modernidade não é a modernidade da Tate Modern – que é a modernidade na Revolução Industrial –, mas a modernidade de hoje, já pra lá de pós-modernista. Sua modernidade encontra um eco nos jardins diante da Tate Modern. Mas um eco curioso para um brasileiro, porque suas árvores parecem que foram desenhadas pelo Oscar Niemeyer. São como os edifícios de Brasília. São como soldados em fila.

E pensar que vi a Tate Modern nascer. Sua estrutura é antiga, como é a estrutura de todo bebê, mas a Tate é Modern. Vi a Tate Modern nascer, mas vi de longe. Quando fui visitá-la já estava aberta ao público, com a aranha gigantesca da escultora francesa Louise Bourgeois, que morreu em junho deste ano aos 98 anos de idade, em Nova Iorque.

Prazeres Paul Gauguin são prazeres intrinsicamente Paul Gauguin, que era francês, nascido em Paris, em 1848, mas fi lho de mãe meio peruana, proto-socialista e pioneira do feminismo. Paul Gauguin morou uns anos em Lima quando criança. Mas depois voltou com a família para a Europa. Trabalhou para a marinha mercante. Casou com uma dinamarquesa. Foi morarem Copenhagen. Foi homem de negócios. Trabalhava no mercado fi nanceiro. Acabou não conseguindo evitar virar pintor de tempo integral. Abandonou a família e voltou para Paris. Passou nove semanas pintando com Vincent Van Gough em Arles, na França. Andava desencantado como impressionismo francês. Achava que arte chamada primitiva, arte africana e asiática. Não foi reconhecido. Decidiu abandonar a Europa e sua convenções sociais ‘artifi ciais’ em suas palavras. Quis um paraíso tropical, onde pudesse viver de ‘frutas e peixe’. Tentou a Martinica. Tentou o Panamá. Produziu muito onde pensou que encontraria o paraíso. Ta tudo lá na arte dele. Na vida das cores, na quebra com o impressionismo. Tá na Tate Modern. Paul Gauguin morreu na Polinésia, onde está enterrado. Faz mais de cem anos que ele se foi. Os quadros, por outro lado, vieram para ficar. No domingo, com sorte, estarei na Tate Modern, desfrutando de um prazer mais imediato.

– por André Souza, brasileiro,tradutor e intérprete, residindo em Londres há treze anos.

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